sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Da série BBB's (8)

Vem aí mais um BBB... tsc, tsc, tsc...



Da série BBB's (7)

Vem aí mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB's (6)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB'a (5)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB's (4)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB's (3)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB's (2)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...

Da série BBB's (1)

Aí vem mais um BBB... tsc, tsc, tsc...


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FELIZ ANO VELHO

Plagiando o título do primeiro livro importante que li na vida (importante porque marcou minha adolescência), me despeço de mais um destes intervalos de 365 dias que alguém batizou de “ano”. Mas esse não foi qualquer um!
Vou começar de dentro pra fora, porque eu sou de dentro pra fora. Sou sentimento, sou analista técnica do que eu penso, sinto, falo, ouço, desejo... E vou chamar 2011 de “Revolução do Cactus”. A minha própria revolução! O cactus, é claro, sou eu (se um dia pudesse ser uma flor, seria uma flor de cactus). E não há historiador que conteste o caráter revolucionário, porque houve, sim, transformação de vida! Família. Era uma vez uma família fragmentada por uma das pragas sociais mais bem aceitas no convívio global. Ela deixou de ser um “núcleo” familiar e estourou como um meteorito, rolando suas pedras para todos os lados. Uma sina infeliz pra quem escolheu compô-la, uma chaga paralisante pra quem só pegou carona sem perguntar o destino. Isso muda. Tudo passa. Passa o que é bom, passa o que é ruim. O alcoolista jamais estará curado, mas esta chaga é tratável, de manutenção contínua, onde aqueles que já quiseram sair correndo sem nunca mais passar perto, é que são o mais santo remédio. Está medicado. Já é um homem com dignidade e auto-estima em recuperação. Tudo passa. Passa o que é bom, passa o que é ruim. Isso modificou muita coisa em casa, as pessoas todas do entorno estão se modificando juntas, reciclando conceitos sobre uma vida toda. Eu apoio e me agrado profundamente por esta causa. Do direito de ir e vir. “Espera por mim que eu vou, espera por mim, amor”! É dose de liberdade, dose de autonomia, dose de responsabilidade adulta, dose de felicidade aguda. Não vou de ônibus, não vou de táxi, não vou nem caminhando com a brisa soprando o rosto. Mo-to-ri-za-da! Arranco com tudo, apago, acelero, manero na lombada pra respeitar o direito que ainda é provisório, mas o prazer de dirigir já é permanente e aderente em mim. Um feliz ano velho, ano em que me tornei motorista da minha vida. E para acrescentar ao gozo de uma parte da vida materialista, eu não “vou”, apenas, eu “moro” na minha vida. Uma moradia em construção, assim como é a existência da gente, sempre se construindo, a cada dia, a cada laje, tijolo por tijolo. Desculpa o papinho de construtivismo, mas é tão bom saber que as chaves estão a caminho, que são caras e demoradas, mas que são minhas. Profissão: Sopram ventos com novos uivos, novas melodias, novos aromas e temperaturas. Vou preparar meus objetivos gerais e específicos, meus cronogramas. Espero ansiosa pela minha turma. Não sei se eu vou estar sentada na classe dos alunos ou desajeitada no púlpito docente degustando acertos e decepções com o próprio rendimento. Mas a expectativa é grande e aguardada com todo amor pelo “como será?”. Amor. Que sentimento mais impregnado de lendas que a gente custa a entender e aproximar da realidade. O amor que eu sinto é imperfeito, mas é tão bonitinho que eu embrulho bem, e levo comigo pra casa todos os dias. É como os “amores-perfeitos” de verdade, colorem e perfumam quando o solo está fértil, mas precisa de sol e meia sombra ao mesmo tempo. Eles enfeitam aos olhos e cheiram bem ao coração. Eu estou amando um amor de verdade, de pedras no caminho, como são todos os que não nasceram de contos de fadas, mas de vidas reais. Um dia eu quero escrever um livro sobre a minha vida. Não sobre tudo o que eu já vivi, mas sobre tudo o que eu senti quando estava vivendo. Assim é mais fácil deixar as tragédias passadas serem mais belas. Sentir a vida e o mundo, entender com os olhos do coração. Eu choro pelo que é doído, mas brindo muito pelo que faz sorrir. O meu maior agrado ao paladar já está gelando. Doce, suave, borbulhando bolinhas loucas pra alcançarem meus lábios. É só mais o fim de um ano. Estouro a champagne por um ano que já está velho e que foi delicioso, implanejavelmente bom, cheio de verbos e rimas tortas, gratinado de poeira e saudade pelo que é, pelo que foi. Que seja eterno na minha memória, pra um dia eu estar velha e de cabelos brancos, brindando com a mesma taça suada de líquido espumante, todas as vitórias e derrotas, e as lágrimas salgadas e ardidas, e os sorrisos de dentes brancos. Eu não comemoro o ano que vai vir, comemoro o que terminou. Acho que por isso é que escolhi cursar História. O futuro eu desconheço, mas aprendi a amar e respeitar o passado. Entendi que tudo o que ainda há de vir, depende do presente. Adeus, 2011. Sentirei saudades, mas o tempo não pára, e eu nem queria que parasse mesmo. Quero colecionar mais e mais histórias no meu próprio passado, que hoje ainda é futuro.


(P.S. A capa do meu "Feliz Ano Velho" é uma taça caída e quebrada, com trágicos caquinhos de vidro estraçalhados, optei por essa outra versão mais amena para uma postagem reflexivamente otimista).


Roberta Santos

15/12/2011.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ZÉ LEE

Tem coisa que não é coisa qualquer. Coisa que a gente compra, que a gente ganha, que a gente visita, que a gente gosta. Tem coisa que marca a vida da gente, que deixa ela mais bonita, coisas que conferem identidade e autenticidade pra gente. Coisa dessas, é a preferência musical, que se organiza de uma forma hierárquica na nossa pirâmidezinha sonora. Músico, compositor, violeiro, cantador, espirituoso, visionário, poeta, astrólogo e de infindáveis descrições e concepções pra quem ouve: ZÉ RAMALHO. Uma idolatria que vem de mais de década. Um enfeitiçamento por aquela voz mais incógnita e penetrante que meu tímpano já sentiu. Figurinha ismilingüida, de olhar pequeno escorado num rosto desnivelado, que deixa claro: cada ruga, cada linha desenhada no semblante, deve ter uma história pra contar. - Zé, você sempre me ganha! Por mais que eu tente renovar o repertório e o artista, acabo sempre contigo! É fácil deixar aquele vozeirão masculino me levar todinha descalça pra um "Chão de Giz", pra um "Táxi Lunar". A realidade só volta quando ele me conta e me canta sobre a "Vida de Gado" que a gente leva. O Zé místico, embrulhado numa bela bata acetinada preta, aqui, pisando o mesmo chão que eu piso, foi um dos quereres que eu mais persegui. Meu número um.
Mas agora abro um parêntese pra protestar contra a elitização e piramidização social do público nestes eventos musicais recentes. É tudo setorizado, basta pagar um salário inteiro do mês e colocar a nádega confortavelmente num trono macio para assistir o seu artista cantar. Não tem dinheiro? Prefere um investimento mais tímido? Não há problemas, acomode-se como preferir na base da pirâmide. Tem um quilômetro separando você do seu ídolo, mas terás diversão garantida! Show é show! Não é teatro, não é palestra, convenção. É um lugar socializado por todos que quiserem estar lá. Foi assim em toda minha adolescência de tietagem; os mais fãs que os fãs, chegam cedo e se aproximam mais do palco, sem todo este circo de filtros financeiros com valores babilônicos que envolvem uma apresentação musical. Fecho parêntese.
Eu elenco, com o coração apertado, incapaz de decidir quem ocupa o segundo lugar da minha lista de prestígio, portanto, com empate técnico: Caetano, Chico e Lenine, em nível nacional (porque a galera da MPB gaúcha tem a própria colocação). Qualquer, destes três prazeres, me divertiria. Mas é aí é que vem a surpresa. Aquela que nem está na lista, mas que está sempre na minha entrelinha de idolatrismo, quem eu jamais imaginei ver nesta província, mais ismilingüida ainda, questionável quanto à presença de glóbulos vermelhos no sangue, sem resquício de melanina na pele. Não acreditei quando li o "LEE" da Rita. Rita Lee! É mole?! Ela já agrega as garantias do estatuto do idoso, com 65 anos, limpa, limpinha da Silva Lee, sem mesmo nicotina ou álcool, arrebentando no palco com a entrada: "Agora Só Falta Você". - Eu jamais faltaria, Rita! Acho que tu não estava na lista porque era utópico demais te querer aqui. Mas sempre vais ser a maior das minhas divas. Eu vi tua cabeça de fogo vermelho lá do fundinho, eu e meus amigos (teus fãs). Te devoramos e cantamos contigo, lá de longe, todas as tuas canções, até aquelas que tu nem cantou. São tantas! Foi incrível testemunhar ocularmente estas duas figuras célebres da minha vida: ZÉ e LEE.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

DAR-TE-EI (Marcelo Jeneci)

O dezembro chegou e o natalzinho vem aí.
Quer saber? Vou te dar essa música de presente,
e nem precisa agradecer.
Todo mundo merece ouvir este presentinho mais fofo, lindo, docinho...
Essa é a minha música de 2011,
a mais bonita que conheci neste intervalinho de 365 dias!
Aí vai, música e letra:





Não te darei flores /não te darei /elas murcham /elas morrem.
Não te darei presentes /não te darei /pois envelhecem /e se desbotam.
Não te darei bombons /não te darei /eles acabam /eles derretem.
Não te darei festas /não te darei /elas terminam /elas choram /elas se vão.
Dar-te-ei /finalmente os beijos meus /Deixarei /que esses lábios sejam meus /sejam teus.
Esses embalam... /esses secam... /mas esses ficam.
Não te darei bichinhos /não te darei /pois eles querem /eles comem.
Não te darei papéis /não te darei /esses rasgam/ esses borram.
Não te darei /discos não /eles repetem/ eles arranham.
Não te darei casacos /não te darei/nem essas coisas /que te resgardam/ e que se vão.
Dar-te-ei /a mim mesmo agora/ E serei /mais que alguém /que vai correndo pro fim.
Esse morre... /envelhece... /acaba e chora... /ama e quer... /desespera /esse vai... /mas esse volta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EU OSTRA





Que alegria nos dá a paixão por um livro quando o encontro se dá no acaso da liberdade... Era tarde de quinta-feira, e entre tantos pequenos compromissos de dia de folga andei lentamente pela lona quente e abafada da Feira do Livro de Passo Fundo. O espaço entre tantas bancas e tantos títulos fascina, e a escolha entre os muitos livros dispostos é injusta. Mas aconteceu algo lindo: Eu fui escolhida pelo livro em vez de escolhê-lo! Um deleite, um gozo de prazer e certeza: OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA - Rubem Alves. É este, certamente! Sempre soube, sem saber explicar, que uma leitura chata, pesada, incompreensiva, não liberta ninguém, não transporta, não eleva, jamais nos toca. Sempre gostei de ostras, sem jamais comer uma. Me emociona aquela coisinha macia, sensível, delicada, dentro daquela casinha tão rústica, fechada, resistente. Há uma identificação de minha parte, pura admiração! Gosto de me fechar em ostra diante do meu caos. Ouvir o som seleto do coração, o próprio silêncio. Ver só o que se insiste em ser visto de trás de um vidro tão espesso quanto a profundidade do fundo do mar. Eu não sei o porquê de gostar disso, tampouco se isso me faz bem ou mal. É o meu cantinho, meu esconderijo pra quando a vida dói. Lá de dentro não dá pra ver o futuro... Talvez um dia uma rede me alcance e eu seja servida em um prato requintado às pessoas na sala de jantar, em um mundo em que só ao paladar as ostras agradem. Talvez um dia as pequenas dores que a minha sensibilidade absorve deste mundo me façam produzir uma pérola, de tantas pequenas injustiças, angústias e desgostos. Talvez ostra, talvez pérola. Talvez apenas este prazer imensurável de encantar-se com a paixão que um livro pode despertar. Obrigada, Rubem Alves, por me abrir os braços e pular em meu colo como um filho amado que adotei numa tarde de quinta-feira.
Agora, na íntegra, a crônica que dá nome ao livro:

OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA

Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos -, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão…”. Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas asperezas, arestas e pontas, bastava para envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou-a e deu-a de presente para a sua esposa.
Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzche observou que os gregos, por oposição aos cristãos , levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa…



Ruben Alves




Roberta Santos

16/11/2011.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Vanessa da Mata: "As Palavras"

Única, ímpar, singular... Voz, repertório, melodia... ELA É LINDA DEMAIS!





As Palavras

Vanessa da Mata

As palavras saem quase sem querer
Rezam por nós dois
Tome conta do que vai dizer
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros.
Se quiser ouvir
É fácil perceber
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
Tentei
Rasguei sua alma e pus no fogo
Não assoprei
Não relutei
Os buracos que eu cavei
Não quis rever
Mas o amargo delas resvalou em mim
Não deu direito de viver em paz
Estou aqui pra te pedir perdão
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
As palavras fogem
Se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem, ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer