Vem aí mais um BBB... tsc, tsc, tsc...
"Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome, cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo Cores! Passeio pelo escuro eu presto muita atenção no que meu irmão ouve. E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Ai, eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus... Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone. E vendo doer a fome nos meninos que têm fome"...Adriana Calcanhoto
Plagiando o título do primeiro livro importante que li na vida (importante porque marcou minha adolescência), me despeço de mais um destes intervalos de 365 dias que alguém batizou de “ano”. Mas esse não foi qualquer um!
Tem coisa que não é coisa qualquer. Coisa que a gente compra, que a gente ganha, que a gente visita, que a gente gosta. Tem coisa que marca a vida da gente, que deixa ela mais bonita, coisas que conferem identidade e autenticidade pra gente. Coisa dessas, é a preferência musical, que se organiza de uma forma hierárquica na nossa pirâmidezinha sonora. Músico, compositor, violeiro, cantador, espirituoso, visionário, poeta, astrólogo e de infindáveis descrições e concepções pra quem ouve: ZÉ RAMALHO. Uma idolatria que vem de mais de década. Um enfeitiçamento por aquela voz mais incógnita e penetrante que meu tímpano já sentiu. Figurinha ismilingüida, de olhar pequeno escorado num rosto desnivelado, que deixa claro: cada ruga, cada linha desenhada no semblante, deve ter uma história pra contar. - Zé, você sempre me ganha! Por mais que eu tente renovar o repertório e o artista, acabo sempre contigo! É fácil deixar aquele vozeirão masculino me levar todinha descalça pra um "Chão de Giz", pra um "Táxi Lunar". A realidade só volta quando ele me conta e me canta sobre a "Vida de Gado" que a gente leva. O Zé místico, embrulhado numa bela bata acetinada preta, aqui, pisando o mesmo chão que eu piso, foi um dos quereres que eu mais persegui. Meu número um.