quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FELIZ ANO VELHO

Plagiando o título do primeiro livro importante que li na vida (importante porque marcou minha adolescência), me despeço de mais um destes intervalos de 365 dias que alguém batizou de “ano”. Mas esse não foi qualquer um!
Vou começar de dentro pra fora, porque eu sou de dentro pra fora. Sou sentimento, sou analista técnica do que eu penso, sinto, falo, ouço, desejo... E vou chamar 2011 de “Revolução do Cactus”. A minha própria revolução! O cactus, é claro, sou eu (se um dia pudesse ser uma flor, seria uma flor de cactus). E não há historiador que conteste o caráter revolucionário, porque houve, sim, transformação de vida! Família. Era uma vez uma família fragmentada por uma das pragas sociais mais bem aceitas no convívio global. Ela deixou de ser um “núcleo” familiar e estourou como um meteorito, rolando suas pedras para todos os lados. Uma sina infeliz pra quem escolheu compô-la, uma chaga paralisante pra quem só pegou carona sem perguntar o destino. Isso muda. Tudo passa. Passa o que é bom, passa o que é ruim. O alcoolista jamais estará curado, mas esta chaga é tratável, de manutenção contínua, onde aqueles que já quiseram sair correndo sem nunca mais passar perto, é que são o mais santo remédio. Está medicado. Já é um homem com dignidade e auto-estima em recuperação. Tudo passa. Passa o que é bom, passa o que é ruim. Isso modificou muita coisa em casa, as pessoas todas do entorno estão se modificando juntas, reciclando conceitos sobre uma vida toda. Eu apoio e me agrado profundamente por esta causa. Do direito de ir e vir. “Espera por mim que eu vou, espera por mim, amor”! É dose de liberdade, dose de autonomia, dose de responsabilidade adulta, dose de felicidade aguda. Não vou de ônibus, não vou de táxi, não vou nem caminhando com a brisa soprando o rosto. Mo-to-ri-za-da! Arranco com tudo, apago, acelero, manero na lombada pra respeitar o direito que ainda é provisório, mas o prazer de dirigir já é permanente e aderente em mim. Um feliz ano velho, ano em que me tornei motorista da minha vida. E para acrescentar ao gozo de uma parte da vida materialista, eu não “vou”, apenas, eu “moro” na minha vida. Uma moradia em construção, assim como é a existência da gente, sempre se construindo, a cada dia, a cada laje, tijolo por tijolo. Desculpa o papinho de construtivismo, mas é tão bom saber que as chaves estão a caminho, que são caras e demoradas, mas que são minhas. Profissão: Sopram ventos com novos uivos, novas melodias, novos aromas e temperaturas. Vou preparar meus objetivos gerais e específicos, meus cronogramas. Espero ansiosa pela minha turma. Não sei se eu vou estar sentada na classe dos alunos ou desajeitada no púlpito docente degustando acertos e decepções com o próprio rendimento. Mas a expectativa é grande e aguardada com todo amor pelo “como será?”. Amor. Que sentimento mais impregnado de lendas que a gente custa a entender e aproximar da realidade. O amor que eu sinto é imperfeito, mas é tão bonitinho que eu embrulho bem, e levo comigo pra casa todos os dias. É como os “amores-perfeitos” de verdade, colorem e perfumam quando o solo está fértil, mas precisa de sol e meia sombra ao mesmo tempo. Eles enfeitam aos olhos e cheiram bem ao coração. Eu estou amando um amor de verdade, de pedras no caminho, como são todos os que não nasceram de contos de fadas, mas de vidas reais. Um dia eu quero escrever um livro sobre a minha vida. Não sobre tudo o que eu já vivi, mas sobre tudo o que eu senti quando estava vivendo. Assim é mais fácil deixar as tragédias passadas serem mais belas. Sentir a vida e o mundo, entender com os olhos do coração. Eu choro pelo que é doído, mas brindo muito pelo que faz sorrir. O meu maior agrado ao paladar já está gelando. Doce, suave, borbulhando bolinhas loucas pra alcançarem meus lábios. É só mais o fim de um ano. Estouro a champagne por um ano que já está velho e que foi delicioso, implanejavelmente bom, cheio de verbos e rimas tortas, gratinado de poeira e saudade pelo que é, pelo que foi. Que seja eterno na minha memória, pra um dia eu estar velha e de cabelos brancos, brindando com a mesma taça suada de líquido espumante, todas as vitórias e derrotas, e as lágrimas salgadas e ardidas, e os sorrisos de dentes brancos. Eu não comemoro o ano que vai vir, comemoro o que terminou. Acho que por isso é que escolhi cursar História. O futuro eu desconheço, mas aprendi a amar e respeitar o passado. Entendi que tudo o que ainda há de vir, depende do presente. Adeus, 2011. Sentirei saudades, mas o tempo não pára, e eu nem queria que parasse mesmo. Quero colecionar mais e mais histórias no meu próprio passado, que hoje ainda é futuro.


(P.S. A capa do meu "Feliz Ano Velho" é uma taça caída e quebrada, com trágicos caquinhos de vidro estraçalhados, optei por essa outra versão mais amena para uma postagem reflexivamente otimista).


Roberta Santos

15/12/2011.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ZÉ LEE

Tem coisa que não é coisa qualquer. Coisa que a gente compra, que a gente ganha, que a gente visita, que a gente gosta. Tem coisa que marca a vida da gente, que deixa ela mais bonita, coisas que conferem identidade e autenticidade pra gente. Coisa dessas, é a preferência musical, que se organiza de uma forma hierárquica na nossa pirâmidezinha sonora. Músico, compositor, violeiro, cantador, espirituoso, visionário, poeta, astrólogo e de infindáveis descrições e concepções pra quem ouve: ZÉ RAMALHO. Uma idolatria que vem de mais de década. Um enfeitiçamento por aquela voz mais incógnita e penetrante que meu tímpano já sentiu. Figurinha ismilingüida, de olhar pequeno escorado num rosto desnivelado, que deixa claro: cada ruga, cada linha desenhada no semblante, deve ter uma história pra contar. - Zé, você sempre me ganha! Por mais que eu tente renovar o repertório e o artista, acabo sempre contigo! É fácil deixar aquele vozeirão masculino me levar todinha descalça pra um "Chão de Giz", pra um "Táxi Lunar". A realidade só volta quando ele me conta e me canta sobre a "Vida de Gado" que a gente leva. O Zé místico, embrulhado numa bela bata acetinada preta, aqui, pisando o mesmo chão que eu piso, foi um dos quereres que eu mais persegui. Meu número um.
Mas agora abro um parêntese pra protestar contra a elitização e piramidização social do público nestes eventos musicais recentes. É tudo setorizado, basta pagar um salário inteiro do mês e colocar a nádega confortavelmente num trono macio para assistir o seu artista cantar. Não tem dinheiro? Prefere um investimento mais tímido? Não há problemas, acomode-se como preferir na base da pirâmide. Tem um quilômetro separando você do seu ídolo, mas terás diversão garantida! Show é show! Não é teatro, não é palestra, convenção. É um lugar socializado por todos que quiserem estar lá. Foi assim em toda minha adolescência de tietagem; os mais fãs que os fãs, chegam cedo e se aproximam mais do palco, sem todo este circo de filtros financeiros com valores babilônicos que envolvem uma apresentação musical. Fecho parêntese.
Eu elenco, com o coração apertado, incapaz de decidir quem ocupa o segundo lugar da minha lista de prestígio, portanto, com empate técnico: Caetano, Chico e Lenine, em nível nacional (porque a galera da MPB gaúcha tem a própria colocação). Qualquer, destes três prazeres, me divertiria. Mas é aí é que vem a surpresa. Aquela que nem está na lista, mas que está sempre na minha entrelinha de idolatrismo, quem eu jamais imaginei ver nesta província, mais ismilingüida ainda, questionável quanto à presença de glóbulos vermelhos no sangue, sem resquício de melanina na pele. Não acreditei quando li o "LEE" da Rita. Rita Lee! É mole?! Ela já agrega as garantias do estatuto do idoso, com 65 anos, limpa, limpinha da Silva Lee, sem mesmo nicotina ou álcool, arrebentando no palco com a entrada: "Agora Só Falta Você". - Eu jamais faltaria, Rita! Acho que tu não estava na lista porque era utópico demais te querer aqui. Mas sempre vais ser a maior das minhas divas. Eu vi tua cabeça de fogo vermelho lá do fundinho, eu e meus amigos (teus fãs). Te devoramos e cantamos contigo, lá de longe, todas as tuas canções, até aquelas que tu nem cantou. São tantas! Foi incrível testemunhar ocularmente estas duas figuras célebres da minha vida: ZÉ e LEE.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

DAR-TE-EI (Marcelo Jeneci)

O dezembro chegou e o natalzinho vem aí.
Quer saber? Vou te dar essa música de presente,
e nem precisa agradecer.
Todo mundo merece ouvir este presentinho mais fofo, lindo, docinho...
Essa é a minha música de 2011,
a mais bonita que conheci neste intervalinho de 365 dias!
Aí vai, música e letra:





Não te darei flores /não te darei /elas murcham /elas morrem.
Não te darei presentes /não te darei /pois envelhecem /e se desbotam.
Não te darei bombons /não te darei /eles acabam /eles derretem.
Não te darei festas /não te darei /elas terminam /elas choram /elas se vão.
Dar-te-ei /finalmente os beijos meus /Deixarei /que esses lábios sejam meus /sejam teus.
Esses embalam... /esses secam... /mas esses ficam.
Não te darei bichinhos /não te darei /pois eles querem /eles comem.
Não te darei papéis /não te darei /esses rasgam/ esses borram.
Não te darei /discos não /eles repetem/ eles arranham.
Não te darei casacos /não te darei/nem essas coisas /que te resgardam/ e que se vão.
Dar-te-ei /a mim mesmo agora/ E serei /mais que alguém /que vai correndo pro fim.
Esse morre... /envelhece... /acaba e chora... /ama e quer... /desespera /esse vai... /mas esse volta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

EU OSTRA





Que alegria nos dá a paixão por um livro quando o encontro se dá no acaso da liberdade... Era tarde de quinta-feira, e entre tantos pequenos compromissos de dia de folga andei lentamente pela lona quente e abafada da Feira do Livro de Passo Fundo. O espaço entre tantas bancas e tantos títulos fascina, e a escolha entre os muitos livros dispostos é injusta. Mas aconteceu algo lindo: Eu fui escolhida pelo livro em vez de escolhê-lo! Um deleite, um gozo de prazer e certeza: OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA - Rubem Alves. É este, certamente! Sempre soube, sem saber explicar, que uma leitura chata, pesada, incompreensiva, não liberta ninguém, não transporta, não eleva, jamais nos toca. Sempre gostei de ostras, sem jamais comer uma. Me emociona aquela coisinha macia, sensível, delicada, dentro daquela casinha tão rústica, fechada, resistente. Há uma identificação de minha parte, pura admiração! Gosto de me fechar em ostra diante do meu caos. Ouvir o som seleto do coração, o próprio silêncio. Ver só o que se insiste em ser visto de trás de um vidro tão espesso quanto a profundidade do fundo do mar. Eu não sei o porquê de gostar disso, tampouco se isso me faz bem ou mal. É o meu cantinho, meu esconderijo pra quando a vida dói. Lá de dentro não dá pra ver o futuro... Talvez um dia uma rede me alcance e eu seja servida em um prato requintado às pessoas na sala de jantar, em um mundo em que só ao paladar as ostras agradem. Talvez um dia as pequenas dores que a minha sensibilidade absorve deste mundo me façam produzir uma pérola, de tantas pequenas injustiças, angústias e desgostos. Talvez ostra, talvez pérola. Talvez apenas este prazer imensurável de encantar-se com a paixão que um livro pode despertar. Obrigada, Rubem Alves, por me abrir os braços e pular em meu colo como um filho amado que adotei numa tarde de quinta-feira.
Agora, na íntegra, a crônica que dá nome ao livro:

OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA

Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, com pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas – são animais mansos -, seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem. Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste. As ostras felizes se riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão…”. Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de suas asperezas, arestas e pontas, bastava para envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava seu canto triste, o seu corpo fazia o trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava. Um dia, passou por ali um pescador com o seu barco. Lançou a rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro de uma ostra. Ele o tomou nos dedos e sorriu de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou-a e deu-a de presente para a sua esposa.
Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzche observou que os gregos, por oposição aos cristãos , levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa…



Ruben Alves




Roberta Santos

16/11/2011.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pra Sonhar - Marcelo Jeneci

Encantada! Descobrindo novos sons de sucesso aos próprios ouvidos.
Que coisa mais linda de ouvir!


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Vanessa da Mata: "As Palavras"

Única, ímpar, singular... Voz, repertório, melodia... ELA É LINDA DEMAIS!





As Palavras

Vanessa da Mata

As palavras saem quase sem querer
Rezam por nós dois
Tome conta do que vai dizer
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros.
Se quiser ouvir
É fácil perceber
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
Tentei
Rasguei sua alma e pus no fogo
Não assoprei
Não relutei
Os buracos que eu cavei
Não quis rever
Mas o amargo delas resvalou em mim
Não deu direito de viver em paz
Estou aqui pra te pedir perdão
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
As palavras fogem
Se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem, ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

HOMINÍDEOS














Você anda, mas não avança.
Você pode, mas não faz.
Você come, mas se cala.
Você bate, mas aonde?
Você grita, mas se esconde.
Você reza, você crê,
Acredita. Mas em quê?
Você vive, tem um nome,
Você ri, não tem fome,
Você compra, você bebe,
Você dorme, quer ver neve.
Você usa, você exclui,
É um fluído que não flui.
Não se iluda, não se engane,
Não condene, não derrame.
Faça algo, argumente.
Vá à luta, ao menos tente.
Pra um futuro de igualdade,
Direito e dignidade
É preciso um ideal,
É preciso liberdade.
Nossa América tem flores,
Temos matas, rios e cores,
Nem potência, nem sadismo
Nem uma e nem duas torres.

Roberta Santos
11/09/2004.

(Imagem roubada do google)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

REPRESSÃO


Tem que respirar fundo
Girar no eixo do mundo
Expirar de dentro a ansiedade
Mesmo com o peito explodindo em saudade.
O tempo assopra a poeira
E o vento assobia aqui perto
Embalando a lembrança nos olhos
Revivendo cada sorriso aberto.
Eu penso em todas as razões
E desconfio que o amor desconheça
O quanto é sofrível lembrar
De querer não gostar que anoiteça.
A noite seduz os desejos
Implora por beijos e sonhos
O inconsciente eu não domino
Sinto a pele arrepiando
Embriagada em águas de banho.
Tem que respirar fundo
e entender que "sair do eixo"
É seduzir-se pelo mundo.


Roberta Santos
01/09/2011.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

(DES) CONFIANÇA



Você busca por respeito?
Respeite primeiro a si mesmo.
Quer reconhecimento?
Reconheça ao próprio rosto no espelho.
Gosta da cumplicidade?
Seja cúmplice das suas escolhas.
Busca honestidade nos outros?
Procure ser honesto consigo.
Admira lealdade?
Inspire-se na lealdade de um cão.
Deseja alguém sincero pra você?
Some a sinceridade dos seus atos.
Quer merecimento e felicidade?
Mereça, inclusive, suas lágrimas.
Espera alguém em quem confiar?
Confie, antes, em seus princípios.
Você não quer ser traído?
Então não traia sua integridade.
Porque quem trai se desrespeita,
Trai especialmente a si próprio.
Trai as propostas que fez a si mesmo,
Trai seus valores e objetivos.
Trai a confiança nas próprias escolhas.
Trai os pensamentos que teve,
Os investimentos que fez.
Aquele que trai é duplamente traidor,
Primeiro, destrói o encanto que tem de si.
Depois, desilude o outro que lhe acreditava.
A personalidade se afirma uma vida toda,
A confiança se parte em poucos instantes.
Sua traição é seu próprio cárcere,
Pois quando você trai,
TRAI, NA VERDADE, A SI PRÓPRIO.



Roberta Santos
30/08/2011.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Palavras Pequenas Apenas



Oi vem sim
aqui mais
assim bom tem.


É ih hmm
quê mas
Eu tu nós.


Tchau vai não
lá foi
só ruim já.


Há dor eu
tu não
nós tudo fim.


Roberta Santos
27/08/2011.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vão-se os anéis...



Ficam-se os dedos.
Inevitável o jargão. Aliás,
Evitável mesmo, são os anéis.
Um anel é cultura, símbolo.
Um sentimento é autenticidade,
Aquilo que não é divisível por dois:
IN - DIVI - DUO
Indivisível, portanto.
Dedos vazios não falam,
Mas nossas mãos contam nossa história,
E elas aprendem
Que coisas machucam e queimam,
E deixam marcas que ficam,
Mas resistem em se aproximar novamente
Das mesmas estruturas instáveis.
O que eu sinto é meu.
E não seremos felizes para sempre!
Não! Ninguém é!
Um anel cabe em muitos dedos,
Mas a história que ele carrega
Não cabe a qualquer um.
Essa cultura não cabe em mim.
Não há comunhão de sentimentos.
Só de alguns desejos, por algum tempo.
O dedo é meu, o corpo, a impressão...
Eu crio e recrio minhas verdades,
E não há nada em absoluto.
Te enalteço, pra do teu lado,
Sentir o cheiro e conforto de um abraço.
E te abomino, porque longe agora,
Lavo o perfume e levo a lembrança daqui.
Vão-se os anéis...
E tudo mais que seja dispensável.
Vai-se o tempo do relógio,
Pessoas saem pela porta,
E o que fica, não se divide por dois.
Não sei o quanto vale,
Ou se é por quilo que se mede.
Só você, no teu silêncio e solidão,
Só eu, na ânsia por resposta e conclusão,
INDIVIDUALMENTE
Mediremos o que fica
De quem não ficou.
Olhemos nossos dedos, eles ficam.
E é elegante o silêncio,
E necessário, para olharmos para dentro.
Meus dedos estão intactos!
E as respostas em construção.
Vão-se os anéis,
Ficam-se os dedos!


Roberta Santos
20/08/2011.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quem ri por último...




Nem tudo o que reluz é ouro.
A marca do perfume é aparência,
O cheirinho de terra molhada é essência.
A estética de um corpo é aparência,
O tamanho do abraço que ele te proporciona é essência.
As unhas impecavelmente vermelhas são aparência,
A mão secando as lágrimas no teu rosto são essência.
O novo modelo do caríssimo carro é aparência,
O modelo de vida e valores que se elege é essência.
O novíssimo aparelho de celular no bolso é aparência,
A solidão que você sente quando ele não toca é essência.
A entrada VIP na festa badalada é aparência,
A insignificância da multidão dentro de você é essência.
O rótulo glamuroso da champagne é aparência,
Não ter nenhum motivo para brindar é essência.
Ter público para te assistir nas glórias é aparência,
Ter um amigo pra ouvir teus insucessos, sem julgar, é essência.
Um lençol de zilhões de fios de seda é aparência,
Alguém pra dividir a cama e a realidade contigo é essência.
Ter popularidade em um meio seletivo é aparência,
Ser aceito e indispensável no "seu meio" é essência.
O sucesso é apenas uma medida que se usa
para qualificar e quantificar as "melhores" pessoas
em uma determinada situação competitiva.
Ele não torna ninguém melhor, é excludente
e aceita apenas um nome para condecorar.
É o fracasso que te determina!
É ele que te obriga a procurar superação,
te deixa em crise, te testa, instiga a evoluir;
Te ensina a humildade de se levantar;
A generosidade pra estender a mão;
Te ensina a pedir e a oferecer;
Te torna humano e sensível com toda a maioria
que não alcançou o status do sucesso.
O sucesso te dá a aparência,
O fracasso determina tua essência.
Você não é um privilegiado
quando não há grandes obstáculos no caminho.
Não nasceu pra ter só alegrias e ser feliz.
Merece chorar e tem o direito de estar triste,
e isso nenhum Rivotril pode tirar de ti.
Porque estar deprimido é a essência,
e rir com o Rivotril é aparência.
Nem tudo o que reluz é ouro,
quem ri por último, Rivotril.


Roberta Santos
20/08/2011.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Relato de Caso



Zero grau (O°C). Vento, chuva e neblina cortando a orelha, ressecando a pele e rachando os lábios. É noite de sábado. Você tem certeza de que só o pijama apeluciado é que te ganha no duelo entre "o que fazer". Tudo bem, nada mal! Um filme qualquer e dorme-se cedo. E esse é o ponto! É o que vai te definir no dia seguinte, quando se teria a manhã toda para dormir preguiçosamente. Eu não sei bem o porquê, mas os anos a fio que se seguem da adolescência te empurram pra hábitos bem mais bohêmios e sedentários do que saudáveis e proveitosos. Eu tô mudando, pô! Ou apenas experimentando um outro estilo de vida. Só que o domingo apela pra alguma coisa a mais. A ostra já tá pequena e monótona e então a decisão tomada tem de ser mais drástica. O termômetro sobe. Cinco graus (5°C). Uma ensolarada manhã de domingo. Levanto da cama e me arrumo, pé por pé, constrangida em contar qual é o plano, tão avesso. -Sim, mãe! É isso mesmo, vou caminhar! E daí? Não se pode caminhar sozinha? Tá, dá um tempo, não preciso convencer ninguém do que eu vou fazer! Óculos de sol, manta no pescoço, luvas, fone de ouvido. É quase um disfarce (eu não seria facilmente reconhecida). Vou lá! A farda é complexa e demorada. Calça o tênis e vai. São 10:30 da manhã. Que silêncio nas ruas! Deve ser até perigoso, eu acho, de tão deserto. Começa a entrar nas narinas um tal de ar puro, no ouvido, um tal de silêncio puro. -Esqueceu, pô! No celular tem música! Detono, porque o silêncio é tanto que já se torna irritante. Com sorte, radialistas e comunicadores devem ter folga, e escolhem um disco pra tocar do início ao fim. Rock gaúcho (que me é sempre simpático). Nenhum de Nós, êba! "Eu caminhava e sentia que o tempo passava, eu caminhavaaa..." Atravessa rápido e não perde o píque, cantarola junto, que ninguém tá vendo. - Cacete! Esse celular tem um volume que eu nem imaginava, me sinto no show ao vivo. Sincronizo as passadas com as batidas da música. "A calçada não é pai, não é mãe, não é nadaaa..." E o ar puro que entra e sai, entra e sai, até que seja bruscamente interrompido pelo bafo quente do couro temperado de galinha assando circularmente na televisão de cachorro! Eu nem imaginava que tinha tanto público e paladar pra frango assado, não mesmo! E teretetê é uma ninhada de galinha girando. Lá se vai a impressão de momento saudável. Que inspiradas mais cheias de tempero, credo! Ok, decide-se voltar. E quando se decide voltar, é muito patético. Tu escolhe um ponto sem qualquer justificativa lógica e dá meia volta, só isso! "Camila-a, uouu, Camila, Camilaaa..." Já está acabando. Tu conseguiu! Ahh, garota! Dá uma coisa, e saltitando com um quê de orgulho de si mesma, uma superação daquilo que sempre te dominou, te determinou, te escravizou. - PREGUIÇA, cadê você?! Eu já ouvi falar mesmo dessas coisas de exercícios que liberam sei que lá de hormônios de prazer, mas daí a acreditar... tsc, tsc, tsc... Sempre com o pé atrás! Mas a música é tua, a rua é tua, o ar é teu, a pulsação é tua e o frio até passou! Só agradeço o frango assado, obrigada, hoje não! Não dói, não arde, não mata e sinceramente, dá até uma peninha do pulmão por queimar um cigarro antes mesmo de entrar em casa. Mas também daí já seria demais, né!!!


Roberta Santos
20/08/2011.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O MUNDO É UM MOINHO - CARTOLA



Um pouco de pedigree (enquanto a autora das palavras embriagadas recupera-se de uma ressaca)




EU APRENDI





Eu aprendi...
que ignorar os fatos não os altera.
Eu aprendi...
que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas está permitindo que essa pessoa continue a magoar você.
Eu aprendi...
que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas.
Eu aprendi...
que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa.
Eu aprendi...
que a vida é dura, mas eu sou mais ainda.
Eu aprendi...
que as oportunidades nunca são perdidas, alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Eu aprendi...
que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar.
Eu aprendi...
que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.
Eu aprendi...
que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a.
Eu aprendi...
que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.


William Shakespeare

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A minha base...



O meu cristo não carrega uma cruz,
Eu sou devota em pessoas e atitudes,
E a minha fé não está no divino,
mas no humano.
Do tudo em que eu creio,
se resume basicamente nisso:


"Se você é capaz de tremer de indignação diante de qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, então você é meu companheiro".


Ernesto Guevara, o Che.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E na minha via láctea...



"É só hoje e isso passa,
só me deixe aqui quieto,
isso passa!

Amanhã é um outro dia, não é?

Eu nem sei porque me sinto assim ,
vem de repente um anjo triste perto de mim..."

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

EU BIBELÔ




Eu tenho a força herdada das experiências,
A coragem parida das horas de medo,
A determinação crescente das necessidades,
E, com isso, eu posso ter tudo o que quiser...
Ser uma camaleoa...
A tua parceira desbocada na arquibancada do jogo,
A tua companhia doce do chimarrão ao fim de tarde,
A tua boneca-primeira-dama-pseudo-elitizada.
Alimento a rebeldia política da esquerda-partidária,
Uma idiotice para uma cabeça materialista.
Uso a frieza racional no combate à superficialidade.
A minha superfície é meiga e adocicada,
Mas os nervos são de aço e a bravura ferve em brasa.
Me passo por um bibelô estático e pronto para, imóvel, ficar empoeirado.
O salto é alto, a saia é curta, a meia-calça é fina,
Mas os pés bem firmes no chão, o orgulho dos princípios em alta
e o compromisso de valorizar quem "é" antes de quem "tem",
dentro de uma casca muito grossa.
Eu posso ter a grife, a jóia, o aplique do cabelo,
o perfume importado, o carro conversível, o esquí nos Andes...
Eu posso ter tudo, basta querer!
Mas ninguém no mundo, mesmo querendo e pagando bem
pode SER QUEM EU SOU!

É... Meu bibelô não está à venda.



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Inatividade



É inverno em mim...
Além do frio de fora,
Tem o frio de dentro.
Porque no coração não tem tomada
Pra ligar a estufa,
Não tem cobertor
Pra segurar o calor,
Não tem café quentinho...
Eu entro num ostracismo nato.
Me fecho, a sós, na minha estrutura,
Na minha inatividade.
O último a sair, apaga a luz.
Fechada.
Esperando o frio ir embora.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Marisa Monte - Panis Et Circenses



Panis Et Circenses (Marisa Monte)

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na Avenida Central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes, procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Elis Regina - Romaria (1977)

Em homenagem à minha irmã, Senhorita de Aparecida...

"Ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida"...

Não sei...


Porquê???‏

De: Renata Aparecida dos Santos (renata_upf@hotmail.com)
Enviada: quarta-feira, 22 de junho de 2011 19:14:22
Para: Roberta Santos (betahistorials@hotmail.com)


ROBERTA DOS SANTOS

Porquê não: Roberta Aparecida dos Santos como EU???
Será que é preconceito, ou não?
Será que fui a única que "apareceu"...do nada, do além???
Será que ninguém me queria, e mesmo assim eu vim? (...mistéeeeeerio)
Bom, isso não importa mais!
Sou Aparecida sim, mas quem "apareceu" na minha vida foi você, porque eu vim primeiro!!!
Querida irmã, na verdade estou aqui para dizer-te que és mais do que minha irmã!
- És minha companheira de batalha
- Companheira de festa
- Companheira pra tudo e portanto, Minha AMIGA!
... AMIGA PRA TODA A VIDA!!!
TE AMO RÔ



Rsrsrs... Também te amo, só não me peça pra acrescentar o Aparecida no meu nome! Bjs.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DIA DOS NAMORADOS...



Com quem eu divido os meus dias e as minhas noites, mesmo aquelas em que não estamos juntos, porque você está sempre no meu pensamento.
Com quem eu divido meus sorrisos e algumas lágrimas, divido uma taça, uma garrafa, um copo, o corpo.
Com quem eu consigo planejar um futuro, que eu sei, é imprevisível, mas que me agrada a doçura de inventá-lo.
Com quem eu aprendo a simplificar a vida e perder o medo das coisas, e ensino a usar mais a tolerância e aprendo a usá-la também.
Com quem eu discuto e discordo e protesto e me rebelo e me desculpo e desculpo também.
Com quem eu me sento à mesa, me sinto à vontade, e sinto que me faz bem, e desejo que esteja sempre perto de mim, dentro do meu coração, segurando a minha mão.
Com quem eu me emociono quando me surpreende com atitudes que só gente de muita coragem pode ter. Amar exige muita coragem, esforço e dedicação!
Que me chama a atenção quando eu me engano, me chama para um cinema, me chama de adjetivos contrários só pra provocar. Gordaaa.
Com quem eu quero tomar chimarrão e jogar conversa fora até que passem anos e décadas e uma vida toda. Com quem eu quero pra sempre rir e chorar, e viajar, e namorar, e passar este e tantos outros dias dos namorados...
Porque o dia dos namorados pode ser simplesmente um passeio de mãos dadas, um filminho, um cinema, uma mensagem inesperada no celular...
O programa do dia dos namorados pode ser qualquer um, desde que eu esteja com você!


Feliz dia dos namorados!


EU TE AMO!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ney Matogrosso - Existem Coisas Na Vida




Existem coisas na vida
das quais até Deus duvida
tem beijos de boas vindas
tem beijos de despedida
tem choro, côro, decôro,
entrada não tem saída
tem fórum,
falta de quorum
tem um toque de midas
tem quem apronte um salseiro
tem gente muito querida
tem cara de pau de monte
morte por uma dívida
tanta coisa pra ontem
Existem coisas na vida
das quais até Deus duvida
tem quem nao tenha guarida
nas vielas e avenidas
tem olho da rua,becos,
tem ouro de tolo,touro,
tem vaca e mulher parida
tem gente que é só sucesso
como tem gente falida
tem gente que nao tem berço,
bandido, gente excluida
tem gente muito valente
tem gente só suicida
e por ter gente demente
tem gente que é prevenida
tem coisa que segue em frente
tem coisa já falecida
Existem coisas na vida
das quais até Deus duvida
É o diabo a quatro querida
Existem coisas na vida
das quais até Deus duvida
É o diabo a quatro querida...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O objeto e o desejo



Dessa água quieta que deseja a sede
Da geada branca desejando a grama
Nesse meu pijama na ponta da cama
Que sempre me chama, e me reclama o sono
E as vezes te engana, mas sabe, esperto,
que além de você aqui perto,
nada mais me tira de dentro.
Do vapor da sopa que deseja a boca
Do querer da lenha mergulhar no fogo,
Em frente à lareira eu sento e invento
o que lembrar de um verão que passou.
E que passou, mas não morreu no tempo
e que me aquece o pensamento, e eu lamento,
mas, fogo de dentro, de fósforo na vela,
de estalo de brasa, de chio de chaleira
É um querer meu de querer que me queiras,
É um quarto aberto que convida a entrar,
É o lugar certo que te dei em minha mesa,
É a minha fome de você me saciar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

ORAÇÃO - A Banda Mais Bonita da Cidade

Óhhh, que linda! Essa sim é pra alegrar qualquer coração...
"Essa é a última oração pra salvar seu coração"...


segunda-feira, 16 de maio de 2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Envelheço na Cidade (IRA)

Para registrar o encerramento de um ano e o começo de outro para mim mesma...
tchan tchan tchan tchan....


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Marcelo Camelo - Vida doce

Entre todas as do Marcelo que são as minhas preferidas, a mais mais preferida, a que se imagina dançar de cabelos soltos esvoaçantes num vestido longo e florido, a que te liberta, que deixa a vida doce mesmo... "eu deixo tudo sempre pra fazer mais tarde..."

Aí vai:


terça-feira, 26 de abril de 2011

JOGADORES E TORCIDA: UNIDOS POR UM OBJETIVO



Jogando juntos, vamos chegar ao Tri da América
É decisão.
Bate mais forte o coração de todos nós.
Nesta terça, o Grêmio tem mais um desafio em busca do TRI.
É o primeiro tempo de uma disputa de 180 minutos que jogamos dentro da nossa casa.
Diante da nossa torcida.
Uma torcida que é referência em toda a América.
Uma torcida reconhecidamente capaz de influenciar o resultado de um jogo atuando fora de campo.
No grito, na garra, na devoção.
Capaz de atormentar o adversário e multiplicar a força dos guerreiros tricolores.
Guerreiros que vestem o Manto Sagrado, que por si só tem o poder da Imortalidade.
Qualquer jogador que vista a camisa do Grêmio tem a obrigação de pelo menos se doar ao máximo.
Deixar dentro de campo até a última gota de suor.
Ou de sangue se preciso for.
Não teremos Victor.
Não teremos Lúcio e Rodolfo.
Não importa.
Quem estiver, entrará com esse pensamento.
O que importa é que você esteja.
A sua presença na arquibancada faz o Grêmio superar qualquer adversidade.
É a hora de ganharmos no grito!
Apoio incondicional ao time, principalmente aos atletas que estão entrando.
Confiança é o fator principal.
E a confiança se adquire com o alento e a união entre jogadores e torcida.
Todos juntos em busca de um objetivo em comum que é o título da Libertadores.
A torcida canta nas arquibancadas, e os jogadores respondem dentro de campo.
Porque QUEREMOS A COPA!

(via portal oficial do Grêmio em 26/04/2011)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

EXPLICADÍSSIMO!


Gosto dos superlativos, sinto-os agradabilíssimos por me poderem encurtar frases e falas que se poderiam abreviar. Mas também sou exímia analisadora de tudo o que me impressiona e que jamais deixo de esmiuçar. Sinto um pouco de tudo o que me alcança a retina e mesmo sinto o tanto que se sente justamente por não se poder ver. E quem enxerga o amor? E quem o descreve bem em cores e formas? Interessantíssimo! Fico perplexa pensando no quanto hoje somos livres pra escolher amar e no quanto a ausência de sentir amor nos aprisiona em nós mesmos num cativeiro de racionalidade intelectualizada regado à teorias complexas sobre uma existência vã. Nã, nã, nã, nã, não! Eu não tô dizendo que os corações desocupados sejam piores ou infelizes nos intervalos de tempo em que assim estão. Mas eu digo, sim, é que no período das licitações, antes de aceitar o próximo contrato amoroso, eles viajam inertes num vácuo sistema operante sem um espécie de sol-guia. Digníssimos são, por si só, os hiatos cardio-amorosos. Férteis e ricos em elaborações pessoais, pela atenção que damos a nós mesmos. Eu consumo tudo o que há em mim e que vejo à minha disposição e alcance: filmes, livros, peças teatrais, cantoria no microfone-controle-remoto... Mas essa tal liberdade se reinventa e quando dum breve cochilo estamos tão livres pra escolher a liberdade que livremente escolhemos nos prender a quem amamos. E se eu te amo, e se o amor é livre, e se a liberdade de escolhas é uma possível garantia de felicidade, então é porque a liberdade é, sim, o espaço que a felicidade ocupa.


Roberta Santos

terça-feira, 12 de abril de 2011

QUEM MORRE




Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito,
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
Quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
Quem evita uma paixão,
Quem prefere o negro sobre o branco
E os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
Sorrisos dos bocejos,
Corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
Quem destrói o seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
Quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
Ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
Quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
Não pergunta sobre um assunto que desconhece
Ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

terça-feira, 15 de março de 2011

Quem sou eu


Sou uma branca, de olhos, cabelos e coração negros. Na infância brinquei de aventuras no banhado. Já fui “CDF” e conheci uma casa portuguesa “com certeza”. Sonhei em ser a Fernanda Venturini no vôlei e o Taffarel no futebol, mas desisti quando quebrei uma unha defendendo um pênalti. Aos 14 anos a treinadora falou: “- O vôlei ou o cigarro!”, não tive dúvidas, a não ser entre o Marlboro e o FREE. Chorei ao ver o Lula da Silva subir a rampa do Palácio do Planalto, na morte do Ayrton Senna e no fim do Xou da Xuxa e até hoje choro a cada “TPM”. O fato histórico mais impressionante da minha vida foi o “11 de Setembro” com todas as suas vítimas e somadas a elas estão também as do Afeganistão e as do Iraque que morrem a cada dia. Já quis me filiar ao PT, ao PC do B, ao PSTU e ao PSOL e agora sei que não sou partidária e que os fins não justificam os meios. Fiz faculdade de História, fiz amigos, fiz festa e fiz “terapia”. Já xinguei, já fui xingada, já arrumei a mochila pra fugir de casa e desarrumei ligeiro antes que alguém percebesse. Já falei o que quis e ouvi o que não quis. Já bebi tanto que vomitei depois da festa e também durante a festa e até no dia seguinte. Tenho uma pequena biblioteca e sempre que eu olho pra ela penso em como é bom ter aqueles livros pra ler o dia que for preciso...Já completei um álbum de figurinhas da Copa de 94, já acordei de madrugada pra ver o Mike Tyson comer a orelha do Evander Holyfield. Já corri pra não apanhar e já apanhei porque afrontei meu pai (eu não mereci), mas apanhei igual e disse que não doeu e por isso eu não chorei. Já comi pão com Nescau encima da margarina. Já fiz curso de manequim e modelo (melhor nem tentar entender isso...). Agora faço um curso de LIBRAS porque o silêncio das políticas públicas para a educação de surdos “ecoa” no tímpano da minha insatisfação com uma educação inclusiva que, inclusive, não inclui. Usei uma fantasia de carnaval na minha formatura da pré-escola e até hoje minha mãe não explicou porque isso aconteceu. Já me despedi de pessoas importantes e isso dói, já sofri por amor e isso dói, já bati uma unha encravada e isso dói, mas hoje tenho uma “farmacinha” que eu amo e me tornei suavemente hipocondríaca porque existe, sim, remédio pra tudo (na dúvida uso sempre antiinflamatórios), o segredo é não ler a bula, jamais! Já tomei fora, já “pulei fora”, já traí, já perdoei, já me enganei. Minha roupa preferida é uma camisa florida de uma avó que morreu em 1982. Nasci em 1984, por um ano perdi de ver o Grêmio ganhar o Mundial. No meu primeiro acampamento minha carona não foi me buscar, nunca mais acampei, não gosto de insetos mesmo... Aos 12 anos ganhei uma galinha de rinha de aniversário do meu vizinho e batizamos ela de Titica e bem depois ganhei um pato deficiente físico do velho que alugava o pé de jabuticaba pela temporada. Meu grande luto foi a morte da “Preta” que diziam ser meio poodle, mas eu tinha minhas dúvidas e depois o assassinato da Titica que eu desvendei porque, infelizmente, o crime não foi perfeito (minha mãe devia ter sido indiciada por me fazer comer a vítima sem saber). Gosto de sol, gosto de praia, gosto de ver a galera gritando “- Cala a boca Galvão!”, gosto de camarão, de feijão, de ovo frito, de flor do campo, de escutar música alto, de tomar chimarrão, de família reunida e do meu ‘cheirinho de criança’ que eu uso mesmo já sendo adulta. Escrevo certo por linhas tortas, me animo com idéias diferentes, gentes diferentes, cores diferentes. Acho que o “certo” não existe, só o que é bom pra cada um, mas não tenho certeza. Não creio, não rezo, só tenho medo é de fantasmas!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Crise (Parte I)




Já estou convencida do acerto dos que se arriscaram em definir a minha personalidade como: uma ostra fechada, tepeêmica, em permanente crise sócio-existencial, psiquicamente aprofundada em auto-análises. Uma sentimentalóide de primeira!
Tudo bem! O problema é que a crise atinge o físico agora também!
Quando as férias se aproximam sinto algo do tipo: despedida + ingratidão.
A despedida é por minha conta (a vontade é sair saltitando como uma louca desvairada, como quando a mãe deixava brincar na rua mais um pouquinho antes de ter que tomar o abominável banho de cada dia!). Deve ser algo parecido com a carta de alforria, uma pseudo-sensação de liberdade plena, embora desamparada (os escravos perdiam, naquele contexto, o sentido de existir, em função do caráter escravocrata da sociedade, tornavam-se escravos da miséria, da falta de oportunidades). No meu caso, é pseudo-liberdade porque costumo ironizar minha condição de apenada em regime de liberdade semi-aberta (eu volto do trabalho para casa todas as noites para dormir). E de mais a mais, minha liberdadezinha tem data e hora pra acabar. São só uns breves dias de férias!
A ingratidão é sentida por conta dos que “ficam” enquanto eu “saio” para o período de férias. É que eu sempre acho pouco o tempo a que tenho direito. Assumo a dificuldade emocional em ter que voltar quando o tempo se esgota. Assumo andar pelas tabelas, em frangalhos, sendo as férias o único remédio passível de me curar!
Quem me lê pode pensar que eu odeio o que eu faço. Engano! Me saio muito bem! E gosto, mesmo não tendo sido a primeira opção...
Acontece que eu preciso de férias, só isso! Separar 2010 de 2011. Evitar este endereço. Esquecer o conteúdo dos trilhões de telefonemas diários. Instituíram 30 dias de férias, não é porque são bonzinhos, é pra reduzir o número de homicídios triplamente qualificados com requintes de crueldade cometidos por pessoas exaustas (como eu).
Não somos apenas profissionais. Somos seres amplos, dotados de vida pessoal também (quando dá tempo). Saímos, comemos, dançamos, dormimos, “di-ri-gi-mos”...
Eu to indo, aos trancos e barrancos, com a paciência de jó do instrutor que em 50 minutos repete umas 50 vezes:
“Parou? Primeira!”
“-Ué, porque que esse carro não anda?”
“Parou? Primeira!”
“Mas o quê que eu fiz de erradooo?”
“Parou? Primeira!”
Mas eu mando bem na marcha ré... e isso ele não vê!
A grande questão é: Minha bolsa foi roubada!
Silêncio...
...agenda, óculos, chaves, celular (número de celular!!!), cartão de crédito, RG, CPF, Título de Eleitor, cartão do plano de saúde, receita médica, muitas maquiagens...
Silêncio...
...Neste momento sou uma indigente, anárquica, sem qualquer rastro civil...(“caminhando contra o vento sem lenço e sem documento”) a não ser o B. O. (Boletim de Ocorrência).
Queria comprar um pacotinho de tempo, quanto será que vale? Me vendam 1 kg por favor, só pra mim, sem ter que dividir com telefone, com agenda, com nada...só meu!
Este texto só tem uma finalidade: ser uma válvula de escape, palavrear as sensações vividas, porque já estou cansada de esbofetear pessoas em pensamento!
Férias, por favor, férias, mil vezes férias...
Só a liberdade que as férias proporcionam pode me livrar da acidez do meu próprio esgotamento. A gastrite nervosa tende a se tornar crônica!

P.S. A diferença entre mim e o apenado em regime de semi-liberdade é que o apenado dorme preso e tem o dia todo livre, enquanto eu fico o dia todo presa e tenho as horas de sono pra sonhar em liberdade...
E eu nem sonho mais!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Até Quando - Gabriel O Pensador

"A PROGRAMAÇÃO EXISTE
PRA MANTER VOCÊ NA FRENTE,
NA FRENTE DA TV,
QUE É PRA TE ENTRETER,
QUE É PRA VOCÊ NÃO VER
QUE O PROGRAMADO É VOCÊ"...



CAMPANHA ANTI GLOBAL




Pela minha liberdade de raciocínio!
Pelo meu direito de formar minha própria opinião!
Por reivindicar uma informação despretenciosa,
sem mensagens subjetivas,
sem tendenciar ideologias políticas ou classes sociais!
O protesto é silencioso!
Basta desligar o aparelho de TV,
ou escolher uma emissora que me respeite!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Trilha Sonora do dia:

"COTIDIANO"

(A letra do Chico na voz do Seu Jorge. O que há de melhor na música brasileira?)


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Bem Lembrado!

O post "Nádegas a Declarar" lembrou ao caro amici Gilnei, de me lembrar de algumas verdadeiras artistas brasileiras. Consagradas pelo talento, como deve ser! Obrigada.
Em oposição à bundalização e ao BBB, eu publico:

PAGU - MARIA RITA

Ver letra abaixo:








Pagu (Maria Rita)

Mexo, remexo na inquisição.
Só quem já morreu na fogueira,
Sabe o que é ser carvão.
Eu sou pau pra toda obra,
Deus dá asas à minha cobra.
Minha força não é bruta,
Não sou freira Nem sou puta.

Nem toda feiticeira é corcunda,
Nem toda brasileira é bunda.
Meu peito não é de silicone,
Sou mais macho que muito homem.


Sou rainha do meu tanque,
Sou pagu indignada no palanque.
Fama de porra-louca, tudo bem,
Minha mãe é Maria alguém.

Não sou atriz, modelo, dançarina.
Meu buraco é mais em cima.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011